domingo, 29 de março de 2009

EQUADOR 1X1 BRASIL

Sabe aqueles jogos que terminam com um resultado, mas a sensação é de que o placar foi outro. Assim foi o jogo deste domingo. Empate em um a um que mais pareceu goleada... a favor do Equador.

O Brasil até enganou no início do jogo com uma boa jogada envolvendo Robinho e Marcelo. Pena que foi a única do primeiro tempo. A partir daí, só deu Equador (e eu achando que nunca escreveria algo parecido).

O jogo
Mais ou menos aos 15 minutos, Júlio César espalmou falta cobrada por Mendéz. No rebote, o camisa um salvou chute de Guerrón. Para me poupar de escrever a mesma coisa várias vezes, antecipo que o goleiro brasileiro defendeu, no mínimo, uns 37 chutes no decorrer do jogo.

Pouco depois, Guerrón recebeu na direita passou por Marcelo sem dificuldades, mas fez lambança na sequência. Foi o primeiro dos 27 lances decepcionantes do meia equatoriano, que, marcado por Marcelo, tinha liberdade para fazer, pelo menos, uns cinco gols.

Aos 22: bate-e-rebate na área do Brasil, a bola sobra para Valencia, que manda a bomba no travessão. Isso mesmo, estamos tomando bola na trave do Equador.

Felipe Mello erra passe e eu fico mais aliviado, é esse o jogador que me acustumei a ver vestindo as camisas do Flamengo e do Cruzeiro. Depois, o Brasil retoma a bola, mas erra passe. Novamente. Ronaldinho Gaúcho quase não se movimenta. Tem hora que aquele medidor de distância da Uefa faz uma falta.

A defesa brasileira dá susto e percebo que Luisão não consegue fechar a boca. Aqui cabe uma leve digressão. Alguém lembra dessa declaração? "Falamos de um fenômeno. Thiago Silva é veloz, tem personalidade, e um fantástico futebol para sua posição. Pode desempenhar qualquer papel em uma defesa. Em resumo, é o número um. O Milan contratou um jogador fantástico". A coerência do Dunga é inspiradora.

Valencia se movimenta pelo campo inteiro e coordena os lances de sua seleção. Tá prestando atenção, Ronaldinho Gaúcho? Correr não é tão difícil assim.

No finzinho, o Equador arrisca em um chute de longa distância com o lateral-esquerdo Ayoví. Ouvir a pronuncia de Galvão Bueno não tem preço "Agioví!". Tem também o "Cebagíos!". Tudo com muita categoria, é lógico.

Intervalo
Balanço do primeiro tempo: a melhor transição da defesa para o ataque foi executada por... Lúcio, em uma daqueles avanços meio irracionais que são característicos. A chance mais perigosa esteve nos pés de... Lúcio, que teria feito fila na área do Equador depois da cobrança de escanteio não fosse a falta de habilidade que é característica.

Mesmo assim, Dunga não promoveu a entrada de ninguém, foi quase como se dissesse "Eu resolvo o problema". Tenha medo.

Segundo tempo
Tenho que reconhecer, a marcação do Brasil voltou a campo mais organizada. Já a saída de jogo continuava com o mesmo parecendo a do Novorizonte no período áureo.

Aos 18 (ou quase isso), Guerrón recebeu um baita lançamento e bateu forte. Júlio César voou para defender, prestando um baita desserviço ao país (pronto, eu tinha que dizer).

Antes o Brasil tinha chegado ao gol de Ceballos com Luís Fabiano, mas não vou enganar o leitor dando atenção ao lance, o Brasil continuava jogando como o Equador. Quer dizer, o Brasil continuava jogando mal a beça.

Enfim Dunga perde a paciência e põe Julio Baptista no lugar de Ronaldinho Gaúcho. Eu não tenho coragem de apostar que agora vai, mas tudo bem e se alguém souber de algum antônimo para disposição, favor avisar. Quero sintetizar a atuação de Ronaldinho Gaúcho, mas estou evitando usar indiposto, porque o problema, nesse caso, não é dor de barriga.

Num raro contra-ataque da Seleção, Robinho abre para Júlio Baptista, que consegue errar o chute e mandar na trave. A bola explode no poste, volta nas costas de Ceballos e entra. Um a zero para o Brasil. Reajo ao gol com certa resistência.

Na comemoração, todos os jogadores abraçam Júlio Baptista e ninguém vai ao encontro de Júlio César. E tem nego jurando que futebol é um jogo sério.

Pouco depois, Júlio Baptista pede e vai ao encontro da bola para receber o passe. Se até o Julião consegue, fica claro que você também pode, Ronaldinho.

Bola na área da Seleção, bate-e-rebate e Mendéz resolve levantar a bola para aplicar uma bicicleta. Isso, estamos assistindo bicicleta do Equador.

Outra chance para Luís Fabiano. O jogador recebe de frente para Espinoza, passa pelo zagueiro e bate, Ceballos defende de novo. No rebote, o camisa nove manda a bomba para fora. Tenho certeza que vai ter gente dizendo que o Brasil levaria o jogo se o Luis Fabiano não tivesse perdida a chance. O futebol dos melhores momentos é tão simples.

Finalmente!!!! Méndez aproveita a ilha de oportunidades que era o lado esquerdo do Brasil, invade a área e cruza para a área, Benitez se devencilha da marcação de Daniel Alves e resvala. Júlio César defende (de novo). No rebote, Noboa, empata.

Resumindo
Festa da torcida, mas a sensação é a de que dava para sair de campo com mais, muito mais. Depois, na coletiva, Dunga falou sobre o resultado e disse que a Seleção Equatoriana é forte e que é difícil enfrentá-los. Sim, estamos temendo o Equador. Encerro por aqui.

5 comentários:

Uelton Gomes disse...

Depois dessa declaração do Dunga, estou até com dúvidas sobre a classificação da seleção brasileira. Ah! Dunga você é um fanfarrão.

Abraços!!

Ricardo Moreira Leite disse...

Brasil se classifica ate sem treinador, o que tem sido o caso do Brasil desde que o sétimo anão assumiu a seleção...

LF disse...

É sempre duro sofrer um golo no último minuto.
Mas não se preocupem com a qualificação. Com os jogadores que têm, até eu classificaria o Brasil.

Só não sei quem é esse Felipe Melo.

Pena que não tenham gostado do Luisão. Ele no Benfica tem estado em excelente forma.
É dos melhores do mundo no jogo aéreo. Pelo chão, com adversários rápidos, tem mais dificuldade.
Mas é o esteio da defesa do Benfica.

Didi Iashin disse...

Vou copiar o que disse Moacir Japiassu, certa vez: enfrentamos o escrete húngaro do Equador.
Não sei se era por causa da camisa amarela, mas que o Equador estava jogando menos mal que o Brasil, estava. Tanto que eu fiquei com cara de tacho quando o Julio Baptista marcou o gol. Tá, ele merece. Mas fiquei com carinha de tacho. Quando o Noboa marcou o seu golzinho, eu dei um berro digno de gol de seleção dos velhos tempos (digamos ... seleção 1970). Fui dormir de coração leve. São Lev Iashin estava com sua mão sobre Julio César, hein? O cara foi o melhor do Brasil. Os demais foram "os demais". Tristeza ...

Blu disse...

"Lúcio em um de seus avanços irracionais." HUAHUAHAUHA

O técnico do Bayern fica p*** com ele por isso.